O Altar [II]
Aproximemo-nos do Altar: aí acharemos o Coração de Jesus oferecendo-se por nós.
A ação mais santa, mais sublime que existe, é a santa Missa. Deus mesmo não pode fazer que haja ação mais santa do que esta. Todos os sacrifícios da antiga lei não foram senão sombra e figura dela. Santo Agostinho nos faz notar que o sacrifício da Missa não é menos eficaz hoje diante de Deus que a oblação que Jesus fez de si na Cruz, quando o sangue e a água correram da chaga do seu Coração. E por quê? Ah! é que a Missa é o sacrifício do corpo e sangue do Filho de Deus, e por conseguinte, sacrifício perfeito, supremo, infinito. Sim, a instituição do augusto sacrifício da lei nova é a maior, a mais espantosa de todas as maravilhas inventadas pelo amor do Coração de Jesus! E que faz na Missa esse Coração divino? Primeiro, oferece a seu Pai adorações dignas dele. Todas as honras que têm dado a Deus os anjos por suas homenagens e os homens por suas virtudes, suas austeridades, seus martírios e suas santas obras, não poderão dar-lhe tanta glória como uma só Missa; porque todas as honras que provêm das criaturas são honras finitas, ao passo que a honra que resulta para Deus do sacrifício de nossos altares, sendo-lhe tributada pelo Coração de um Deus, é infinita. É então a obra mais santa, mais divina e mais agradável a Deus. Incapazes somos de agradecer a Deus, como ele merece, os inúmeros benefícios a nós prodigalizados; mas consolemo-nos: O Coração de Jesus na Missa lhe dá por nós dignas ações de graças. Este divino sacrifício, diz Santo Irineu, foi instituído precisamente a fim de podermos pagar a Deus a dívida de nosso reconhecimento. Este divino Coração na Missa aplaca também a ira de Deus. Desgraçados de nós, se não tivéssemos este grande sacrifício para impedir que a divina justiça nos inflija os castigos que nossos pecados merecem! porque o sacrifício das vidas de todos os homens e de todos os anjos não poderia satisfazer dignamente a justiça de Deus por uma só falta cometida por uma criatura contra seu Criador; só o Coração de Jesus pôde satisfazer por nossos pecados (1Jo 2,2). Cada vez que se celebra a Missa, ele oferece a seu Pai seus merecimentos infinitos, e então o Senhor é levado a conceder aos pecadores a luz e a força necessárias para se arrependerem, e daí o perdão de seus pecados. Durante a Missa podemos enfim obter para nós e para os outros todos os favores que desejamos. Sem dúvida, somos indignos de receber graças; mas o Coração de Jesus as merece por nós. Ele mesmo nos deu o meio de obtê-las: é pedi-las em seu nome, oferecendo sua pessoa ao Padre Eterno, no sacrifício da Missa; porque então ele se une a nós e roga conosco. Se soubésseis que quando orais ao Senhor, a Mãe de Deus e todo o paraíso se une a vós para apoiar vossa súplica, com que confiança a não apresentaríeis? Pois bem! Quando assistis a Missa para pedir a Deus alguma graça, Sagrado Coração de Jesus, cujas orações valem infinitamente mais que as do paraíso inteiro, ora por vós e oferece em vosso favor os merecimentos de sua Paixão. Numa palavra, a Missa é, segundo a expressão do profeta Zacarias, o que há de mais excelente e belo (Zc 9,17) na Igreja. Ela é que nos dá a santa Eucaristia, fim e consumação de todos os outros sacramentos; ela, a que nos dá o Coração de Jesus; ela, o epílogo de todo o amor divino e de todos os benefícios de que Deus cumulou os homens.
Prática
Quero e proponho revestir-me do espírito de sacrifício e devotamento. O Coração de um Deus que se imola para mim cada dia, não merece, que eu me sacrifique e me imole por ele? Pois bem! Que vou fazer por Deus, por meu próximo, pelos pobres, pelas almas do purgatório?
Afetos e súplicas
Pai eterno, hoje vos ofereço todas as virtudes, todos os atos, todos os afetos do Coração de vosso amadíssimo Jesus. Aceitai-os por mim; e por seus merecimentos, que me pertencem, pois ele mos deu, concedei-me as graças que ele vos pede para mim. Eu vos ofereço estes merecimentos, para vos agradecer tantas misericórdias que me tendes feito. Ofereço-os também para satisfazer-vos pelo que vos devo por meus pecados. Por estes merecimentos, enfim, espero de vós todas as graças, o perdão, a perseverança, o paraíso, e mais que tudo, o dom supremo de vosso amor. Bem sei, que sou eu que ponho obstáculo à vossa graça: mas dignai-vos ainda remediar este mal; em nome de Jesus Cristo vo-lo peço; ele nos prometeu que nos concedereis tudo o que vos pedirmos em seu nome (Jo 16,23), não podeis então me recusar. Todo o meu desejo, ó meu Deus, é amar-vos, dar-me inteiramente a vós, e não ser mais ingrato para convosco, como até o presente fui. Escutai-me, atendei minha súplica: fazei que este dia seja o de minha inteira conversão; fazei que, a partir deste momento, não cesse eu de vos amar. Oh! eu vos amo, meu Deus, eu vos amo, bondade infinita, eu vos amo, meu amor, meu paraíso, minha felicidade, minha vida, meu tudo!
Oração jaculatória
Coração de Jesus, vítima de amor, ofereço-vos em sacrifício minha alma, minha vontade e minha vida.
Exemplo
O Padre Coret conta que depois de um sermão, no qual ele havia mostrado a eficácia da comunhão frequente para vencer os maus hábitos, um homem da burguesia foi procurá-lo profundamente comovido. “Ai! meu Padre, diss ele, há 27 anos que vivo sepultado no vício. Nunca tive animo de declarar meus pecados na confissão. Confesso-vos que eu vivia na mais profunda desgraça, pungido de terríveis remorsos; mas a vergonha de confessar meu mau proceder era tal, que antes queria condenar-me do que confessar-me com a sinceridade requerida. Venho agora vos declarar meus pecados com toda a franqueza possível; mas antes de começar minha confissão, peço-vos para rogar por mim ao meu anjo da guarda a graça de viver ainda nove anos para fazer penitência. — Por que nove anos? interrogou o Padre. — Porque durante esses nove anos, respondeu o pecador, quero assistir todos os dias de joelhos em terra a três Missas: assim terei a consolação, no fim de nove anos, de ter ouvido tantas Missas quantos dias que vivi no sacrilégio e na impenitência. Sei que a Missa é um sacrifício que expia e repara admiravelmente os pecados ao mundo. Sei também que a comunhão tem o poder de conter a furiosa inclinação dos maus hábitos, e por isso tomei a resolução de comungar tantas vezes quantas quiserdes”. O Padre Coret acrescenta: Conheci este homem muitos anos após sua conversão; sempre o admirei. Que constância! Que horror das más companhias! Quantos jejuns! Quantas orações! Quantas boas obras! Que assiduidade na Missa! Que fervor para comungar todos os domingos e dias de festa! Aí está a razão por que não recaiu na desgraça.

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