Sagrado Coração de Jesus

Vigésimo nono dia- Mês Sagrado Coração de Jesus

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A Santa Mesa [II]

Aproximemo-nos da Santa Mesa: aí acharemos o Coração de Jesus desejoso de se unir a nós muito frequentemente

O amor tende naturalmente à união com o objeto amado, ou antes, segundo o pensamento de santo Agostinho, o amor é uma cadeia de ouro que une o coração da pessoa que ama, e o da pessoa amada. E como esta união não se pode efetuar de longe, aquele que ama, deseja sempre a presença da pessoa amada. A esposa sagrada, quando separada do seu Amado, enlanguescia, e rogava a suas companheiras para que lhe contassem seus padecimentos, a fim de obrigar a consolá-la por sua presença: Eu vos conjuro, filhas de Jerusalém, se encontrardes meu Amado, dizei-lhe que enlanguesço de amor (Ct 5,8). Ora, a união do homem com seu Deus faz-se na santa comunhão, como a palavra o indica. Mas notemos aqui um prodígio de ingratidão e outro de amor. De um lado, o coração do homem, apesar da extrema necessidade que tem de seu Deus, separa-se da mesa santa, ou se aproxima o mais raramente que pode; e de outro lado o Coração amante de Jesus deseja, busca, solicita esta todas as maneiras possíveis. Ele manifesta neste sentido o mais vivo desejo. Ardentemente desejei, diz ele, comer esta Páscoa convosco (Lc 22,15). Estas palavras foram pronunciadas na última ceia; mas o fogo que abrasava então o Coração de Jesus, não é menor hoje. Eis porque ele não cessa de nos fazer os mais ternos convites: Vinde, comer o pão e beber o vinho que eu vos preparei (Pr 9,5). Não contente de nos convidar, Jesus nos impõe obrigação disto por um preceito formal: Tomai e comei, este é meu corpo (Mt 26,26). De mais, ele nos atrai pela promessa da vida eterna: Aquele que come este pão, viverá eternamente (Jo 6,55). Chega até a nos ameaçar de nos excluir do paraíso, se recusamos comer sua carne sagrada. Se não comeis da carne do Filho do homem, não tereis a vida em vós (Jo 6,54). Que nos dizem estes convites, estas promessas, estas ameaças? Revelam-nos o desejo que tem o Coração do Jesus de se unir a nós na Eucaristia, desejo que nasce do grande amor que ele nos tem. É evidente que só a comunhão frequente pode satisfazer tal desejo. Mas não é verdade que o coração do homem evita o mais que pode a doce união solicitada pelo Coração de seu Deus? Ó insensatos partidários do mundo, exclama santo Agostinho, desgraçados, aonde ides para satisfazer os desejos de vosso coração? Vinde ao Coração de Jesus, único que pode vos dar a felicidade que buscais. Ó vós que ledes estas linhas, não sigais estes transviados; vinde ao banquete sagrado buscar este único bem em que se acham, todos os bens. Temeis! Ah! durante os primeiros séculos da Igreja, os fiéis rompiam todos os dias este pão celeste em suas reuniões, como nos ensina São Lucas dos fiéis de Jerusalém (At 2,46). Sim, este é o nosso pão quotidiano, nos diz Santo Ambrósio; ide então recebê-lo quotidianamente, a fim de que cada dia vos seja ele proveitoso. Se não podeis comungar todos os dias, como os fervorosos cristãos dos grandes séculos de fé, comungai ao menos todas as vezes que puderdes.” Não vos esqueçais, principalmente, a comunhão da primeira sexta-feira de cada mês, à qual o Coração de Jesus concede as maiores graças. Fazei-a nas três intenções já citadas, isto é: 1°. Em reconhecimento do dom inefável que Jesus nos fez na Eucaristia, de seu corpo, de seu sangue, de sua alma, de sua divindade, de seu Coração. 2°. Em compensação da negligência que tínheis outrora em vos aproximar da santa mesa. Pedi o ardor de uma Santa Catarina de Sena, que ia ter-se com seu confessor, exclamando: Ó meu Pai, daí a minha alma seu nutrimento muito amado; daí a minha alma seu nutrimento. Pedi a fé de uma Santa Maria Madalena de Pazzi, que chorava de dor vendo desprezar-se a comunhão: Eu antes quisera morrer do que faltar a uma só das comunhões que meu confessor me concede. 3°. Em reparação de vossas faltas e de tantos sacrilégios que se cometem contra este adorável Sacramento. Nosso divino Salvador se dignou um dia dizer estas consoladoras palavras à venerável Irmã Prudenciana Zagnoni: Se comungardes muitas vezes, esquecerei todas as vossas ingratidões. Obriga-vos também a vos aproximar do divino banquete a compaixão para com o Divino Salvador. Santa Teresa percebeu, certo dia, com horror um desgraçado sacrílego cercado de dois demônios que tremiam diante do Santíssimo Sacramento; e então ouviu, do meio da hóstia, Jesus dirigir-lhe estas palavras: Vê, Teresa, até onde chega minha bondade, pois que, para teu bem e para o de todos os homens, consinto em me pôr assim entre as mãos de meu inimigo.

Prática

Farei a comunhão reparadora na primeira sexta-feira de cada mês. O Coração de Jesus é que mo pede. Poderei recusar-lhe uma coisa que redundará toda em meu proveito?

Afetos e súplicas

Ó Coração de meu amadíssimo Jesus, ó mais terno e generoso de todos os corações, que coisa então vos levou a vos dardes todo a nós em nutrimento? E depois deste dom inefável, que vos resta ainda fazer para nos obrigar a vos amar? Ah! esclarecei-nos e fazei-nos conhecer este excesso de amor, que vos transformou em alimento para vos unirdes a nós, pobres pecadores! Mas se vos dais todo a nós, justo é que nós também nos demos inteiramente a vós. Ó Coração de meu Redentor, como pude vos ofender, vendo que me tendes amado tanto, e nada haveis poupado para ganhar meu amor! Vós vos fizestes homem por mim, vós vos fizestes meu nutrimento; dizei-me, que poderíeis fazer ainda? Oh! eu vos amo, bondade infinita, eu vos amo, amor infinito: vinde, Senhor, vinde muitas vezes à minha alma: quero unir-me muitas vezes a vós na santa comunhão, para me desapegar de tudo, e para amar a vós somente, que sois minha vida. Ó Maria, por vossa intercessão, tornai-me digno de receber muitas vezes vosso divino Filho no Sacramento de seu amor.

Oração jaculatória

Coração amável de meu Jesus, bem pobre e desgraçado é o coração que vos não ama.

Exemplo

O desejo da comunhão é excelente preparação para a recepção do corpo de Jesus Cristo. O mesmo Salvador se dignou revelá-lo a Santa Margarida Maria. “Numa Sexta-Feira Santa, diz ela, tendo eu grande desejo de receber Nosso Senhor, disse-lhe com muitas lágrimas estas palavras: Amável Jesus, abrasada estou em desejo de vos receber, e como não posso vos possuir neste dia, não cessarei de vos desejar. Jesus veio então consolar-me por sua amável presença, dizendo-me: Minha filha, teu desejo penetrou tão no íntimo do meu Coração que, se eu não tivesse instituído este Sacramento de amor, fá-lo-ia agora para me tornar teu alimento. Tanto prazer sinto em ser desejado, que quantas vezes o coração forma este desejo, outras tantas o olho amorosamente para o atrair a mim. Esta vista se imprimiu tão vivamente em mim, que eu sofria grande pena de ver meu Jesus tão pouco amado e desejado neste augusto Sacramento”. Estes admiráveis sentimentos da bem-aventurada faziam-lhe dizer estas sublimes palavras, que serão pouco compreendidas, ai! das almas frouxas e tíbias: “Muitas vezes suspirei pela permissão de receber a Jesus Cristo na santa comunhão, ainda que para isto me fosse preciso caminhar com os pés descalços sobre chamas; este padecimento nada seria para mim comparado com a dor que sentiria minha alma sendo privada do divino alimento”.

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