Sagrado Coração de Jesus

Vigésimo dia- Mês Sagrado Coração de Jesus

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Gólgota [II]

Vamos ao Calvário: aí acharemos o Coração de Jesus morrendo por todos

Aproxima-se a hora da morte de Jesus. Contempla-o, alma cristã; seus olhos se obscurecem, sua bela face empalidece, seu Coração bate mais lentamente, seu corpo sagrado abandona-se à morte. Jesus vai, pois, dar o último suspiro. Vinde, anjos do céu, vinde assistir à morte do vosso Deus.E vós, ó Maria, Mãe de dores, aproximai-vos da cruz, erguei os olhos para vosso Filho, que vai expirar. Já nosso Redentor permite que a morte venha feri-lo: “Vem, ó morte, diz-lhe, faze teu ofício, corta-me o fio da vida e salva minhas ovelhas”. Nesse momento a terra treme, os túmulos se abrem, o véu do templo rasga-se. Logo, abatido pela violência das dores, o Salvador sente desfalecer suas forças; o calor natural o desampara; sua respiração para; seu corpo se alue; ele solta de seu Coração aflito um profundo suspiro; sua cabeça cai sobre seu peito, abre a boca e expira!… Sai, a bela alma de meu Salvador, sai, e vai nos abrir o paraíso até agora fechado para nós. As pessoas presentes, observando que ele não faz mais movimento, dizem: “Ele morreu! Ele está morto!” Maria ouve estas palavras e diz a seu turno: “Ah! meu Filho, estais mortal” Ele morreu!… Ai! quem morreu? O autor da vida, o Filho único de Deus, o Senhor do universo. Ó morte, que assombra os céus e pasma a natureza! Um Deus morrer por suas criaturas!… Ai! quem então o conduziu à morte? É seu Coração, é seu amor. Ó caridade infinita! Um Deus que se imola inteiramente, sacrifica suas delícias, sua honra, seu sangue, sua vida, por quem? Pelas criaturas ingratas!…Ó minha alma, eleva os olhos e contempla o Homem Deus crucificado; vê o divino Cordeiro imolado sobre o altar de dor: é o Filho amadíssimo do Pai eterno; Ele morreu por amor de ti!… Vê como Ele tem os braços abertos para te receber, a cabeça inclinada para te dar o ósculo da paz, o lado aberto para te dar entrada no seu Coração! Que dizes?

Merece ser amado um Deus tão bom e amante? Ouves o que teu Senhor te diz do alto da cruz? “Meu filho, vê se no mundo inteiro alguém, te dá provas de mais amor do que eu, que sou teu Deus”.

Por esta morte Jesus Cristo fez desaparecer tudo o que nossa morte tinha de horrível. Antes a morte era um suplício infligido a rebeldes; mas pela graça e pelos merecimentos de nosso Salvador, tornou-se sacrifício de tal maneira agradável a Deus, que, unindo-a à morte de Jesus Cristo, nós nos tornamos dignos de ir gozar da glória de Deus que ele também goza.

Assim, graças à morte de Jesus Cristo, nossa morte cessou de ser motivo de dor e temor; o Coração de Jesus converteu-a em meio de passarmos das misérias deste mundo para as delícias inefáveis do céu. 

Afetos e súplicas

Ó meu Jesus, recordai-vos que prometestes atrair a vós todos os corações quando fosseis elevado na cruz. Eis aqui meu coração: enternecido à vista de vossa morte, ele não quer mais vos resistir: dignai-vos atraí-lo completamente a vosso amor. Por mim morrestes, meu Jesus, e por isso só para vós quero viver. Ó dores de Jesus, ó ignomínias de Jesus, ó morte de Jesus, ó amor de Jesus, fixai-vos no meu coração: vossa lembrança esteja sempre nele presente para me estimular e inflamar continuamente no amor a Jesus. Ó Pai eterno, pelos merecimentos de Jesus, vosso divino Filho, morto por amor de mim, usai de misericórdia comigo. Minha alma, não percas a confiança por causa dos pecados que cometeste. Deus mesmo é que enviou seu Filho à terra para te salvar; e este Filho de Deus se ofereceu voluntariamente em sacrifício para expiar tuas faltas. Ah! meu Jesus, visto que, para me perdoar, não poupastes a vós mesmo, inclinai para mim vossos olhos hoje tão afetuosamente como no dia em que agonizastes por mim na cruz; e perdoai-me especialmente a ingratidão de que me tornei culpado para convosco no passado, pensando tão pouco em vossa Paixão e no amor de que então me destes prova. Eu vos agradeço me terdes mostrado, através de vossas chagas e membros lacerados, os ternos afetos de vosso Coração para comigo. Desgraçado de mim, se, depois de tal favor, cessasse de vos amar, ou se amasse outro objeto mais do que a vós. Permiti que eu vos diga com vosso fervoroso servo São Francisco de Assis: Morra eu por amor de vosso amor, ó meu Jesus, que vos dignastes morrer por amor de meu amor! Ó Coração do meu Redentor, Feliz morada das almas amantes, não vos dedigneis de receber também minha pobre alma. Ó Maria, Mãe das dores, recomendai-me a vosso divino Filho, cujo Coração se consumiu de amor para comigo. Contemplai essas carnes em pedaços, vede seu precioso sangue derramado por mim, e conclui quanto lhe é agradável que lhe recomendeis minha salvação. Minha salvação é amá-lo; obtende-me então o amor a Jesus Cristo, mas um amor ardente e eterno.

Oração jaculatória

Ó meu Amor Crucificado, desde já vos recomendo minha última hora.

Exemplo

Se queremos saber como Nosso Senhor se digna recompensar, na morte, aqueles que amam seu divino Coração, basta lermos a narração dos últimos momentos da Senhora de Angelis, jovem Romana, que morreu em 30 de maio de 1869. Em 28 de maio ela recebeu o viático; durante a ação de graças, ela apertou muito tempo sobre o peito a imagem do Coração de Jesus, falando-lhe com tal ternura, que julgaram-na arrebatada em êxtase: “Oh! como estou contente, exclamava ela, como sou feliz, ó meu Jesus, por ser chegado o momento de me ir para junto de vós! Oh! quanta consolação sinto! Sabeis, ó meu Deus, quanto vos amo”. Tendo mandado chamar seu irmão mais velho e seu sobrinho, falou-lhes com zelo apostólico sobre a importância da salvação, o apego à Igreja, a assistência quotidiana à santa Missa, a fuga das más companhias. Tendo-lhe seu confessor dito que ela iria logo para o paraíso, exclamou:

“Ó meu Pai! que doce palavra! O paraíso! Vou para o paraíso! Vou enfim ver meu Jesus, unir-me a Maria, minha boa Mãe. Sim, vou para o paraíso”. Ela se pôs então a beijar mil vezes a imagem do Coração de Jesus, depois a de Maria e a de São José. “Em verdade, dizia ela, não sou mais deste mundo: estou no Coração de Jesus sob o manto de Maria: oh! como sou feliz! Nunca esperei ser tão consolada nos meus últimos momentos”. Em meio das mais violentas dores, ela falava a Nosso Senhor com a maior ternura: “Vinde, dizia ela, vinde já, ó meu Jesus! Quanto me tarda unir-me a vós! Oh! quão amável sois, Senhor! Quão alegre paraíso é vosso Coração! Ah! quando verei o rosto tão arrebatador de meu Jesus? Quando beijarei suas mãos, seus pés, seu divino Coração: sim, este Coração, cujo amor para comigo é sem limites, este Coração, que será minha morada eterna, este Coração cão cheio de doçura e amabilidade?” Enfim, rendo nas suas mãos a imagem do Coração de Jesus e olhando-a com ternura, repetiu muitas vezes: Jesus! Jesus! Jesus! E deu tranquilamente sua alma a Deus. Todos os que a conheceram concordam em proclamar que sua bem-aventurada morte foi o fruto de sua devoção verdadeiramente extraordinária ao Sagrado Coração de Jesus.


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